DOIS IRMAOS MILTON HATOUM PDF

Forma-se em engenharia, prospera profissionalmente e casa-se. Conta como foi o nascimento dos filhos e a abertura de sua loja. Halim levanta-se e expulsa a desconhecida, que dormia na sala. Tomado pela raiva, Omar cobrira as fotos de Yaqub e de sua mulher com desenhos obscenos. Omar retorna a Manaus, onde se envolve em atividades de contrabando e com uma mulata conhecida como Pau-Mulato. Depois foge de casa por longo tempo.

Author:Dojin Vujora
Country:Eritrea
Language:English (Spanish)
Genre:Video
Published (Last):7 April 2015
Pages:109
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ISBN:411-3-59687-663-2
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O enredo do romance trata, basicamente, do nгo relacionamento entre os irmгos. O ponto de onde й feita a narraзгo й uma posiзгo bastante privilegiada e natural para o desenvolvimento da histуria. O narrador й um personagem, coisa que nгo sabemos de imediato, mas no desenvolvimento do livro. O narrador й, na verdade, o filho bastardo de um dos gкmeos com a empregada que mora no fundo da casa dos pais deles. Essa posiзгo prуxima, porйm nгo нntima, e o interesse do narrador em descobrir quem й seu pai, o torna o narrador ideal para este romance.

Narrado em primeira pessoa, a histуria se passa em Manaus de a Os dois irmгos nunca se entendem, atй que Yaqub й obrigado a ir para o Lнbano. Quando volta, cinco anos depois, sente-se deslocado dentro de sua prуpria famнlia, enquanto as intrigas continuam. Aliбs, o sentimento de deslocamento й o que sustenta a narrativa, e traz o drama familiar para a esfera do universal. Segundo Hatoum, o imigrante й um sujeito dividido, sofre de uma espйcie de dualidade do lar, da pбtria.

Nesse sentido, os dois irmгos funcionam como uma metбfora dessa dualidade. Entre esse duelo fraternal, Hatoum ainda constrуi a dificuldade de um homem apaixonado pela esposa, que perde a atenзгo dela para os filhos; um filho bastardo que tenta descobrir qual dos gкmeos й seu pai; a histуria do imigrante de origem бrabe no Brasil e a expansгo comercial da regiгo norte; e o retrato de uma sociedade pequeno burguesa, que se mostra tгo previsнvel no norte do Brasil, quanto na Franзa, dos escritores de grande influкncia para o autor manauara, Flaubert e Balzac juntamente ao norte-americano William Faulkner.

Esses temas vгo se dissolvendo com o passar do tempo da histуria. Mas nгo perdendo em importвncia ou se resolvendo e sim, se entranhando cada vez mais а narrativa. Uma tensгo leve й a convidada cativa do texto de Hatoum, que se faz presente em todo o livro. As pбginas a serem lidas vгo rareando nas mгos e as soluзхes sгo, no mбximo, indicadas. Aliando essa tensгo а fluкncia textual no melhor estilo de seus autores de influкncia , Hatoum nos conta uma histуria isenta de liзхes moralizantes ou advertкncias.

O que nos toma ao final da leitura й um sentimento de incompletude e incerteza. Espaзos em aberto. Muitas perguntas, muitas possibilidades, poucas certezas.

Esse espaзo de incerteza й que fascina no momento da leitura e nгo frustra ao deixar perguntas. Й a mбquina narrativa de Hatoum, funcionando direitinho. Emredo No inнcio do sйculo XX, Manaus, a capital da borracha, recebeu estrangeiros como o jovem Halim, aprendiz de mascate, e Zana, uma menina que chegou sob a asa do pai, o viъvo Galib, dono de um restaurante perto do porto.

Halim e Zana vгo gerar trкs filhos: Rвnia, que nгo vai casar nunca, e os gкmeos Yaqub e Omar, permanentemente em conflito. O casarгo que habitam й servido por Domingas, a empregada нndia, e mais tarde tambйm pelo filho de pai desconhecido que ela terб.

Esse menino — o filho da empregada — serб o narrador. Trinta anos depois dos acontecimentos, ele conta os dramas que testemunhou calado.

Omar й o beberrгo boкmio, mimado, conquistador e revolucionбrio. Yaqub й o engenheiro que construiu sua vida independentemente de ajuda, magoado com a famнlia, tнmido, conservador e que se muda de Manaus cenбrio da histуria para Sгo Paulo. Assim como a constante competiзгo entre eles.

Dois irmгos й a histуria de como se faz e se desfaz a casa de Halim e Zana. Apaixonado pela mulher, depois do nascimento dos filhos Halim se condena а nostalgia dos tempos em que nгo era pai, em que nгo precisava disputar o amor de Zana, em que os dois tinham todo o tempo do mundo para deitar na rede do alpendre e se entregar aos prazeres sensuais. Pelo que nos conta o narrador, Halim estarб sempre а espera da decisгo mais acertada diante dos abismos familiares: a desmedida dedicaзгo de Zana a Omar, seu filho preferido; o trauma de Yaqub, o filho que, adolescente, foi separado da famнlia supostamente para amenizar os conflitos com Omar; a relaзгo amorosa entre os gкmeos e a irmг, Rвnia.

De Domingas, com quem compartilhava o quartinho nos fundos do quintal, o narrador nos diz que esta й uma mulher que nгo fez escolhas. Aparentemente, nгo escolheu nem mesmo o pai de seu filho. Milton Hatoum faz os dramas da casa estenderem-se а cidade e ao rio: Manaus e o Negro transformam-se em sнmbolos das ruнnas e da passagem do tempo.

E, pela voz de um narrador solitбrio, revive tambйm os tempos sombrios em que as praзas manauaras foram ocupadas por tanques e homens de verde. Esses tempos foram responsбveis pelo destino trбgico de um grande personagem do livro: o professor Antenor Laval. Trecho escolhido Por volta de , Galib inaugurou o restaurante Biblos no tйrreo da casa. O almoзo era servido аs onze, comida simples, mas com sabor raro.

Ele mesmo, o viъvo Galib, cozinhava, ajudava a servir e cultivava a horta, cobrindo-a com um vйu de tule para evitar o sol abrasador.

No Mercado Municipal, escolhia uma pescada, um tucunarй ou um matrinxг, recheava-o com farofa e azeitonas, assava-o no forno de lenha e servia-o com molho de gergelim.

Entrava na sala do restaurante com a bandeja equilibrada na palma da mгo esquerda; a outra mгo enlaзava a cintura de sua filha Zana. Iam de mesa em mesa e Zana oferecia guaranб, бgua gasosa, vinho. O pai conversava em portuguкs com os clientes do restaurante: mascateiros, comandantes de embarcaзгo, regatхes, trabalhadores do Manaus Harbour.

Desde a inauguraзгo, o Biblos foi um ponto de encontro de imigrantes libaneses, sнrios e judeus marroquinos que moravam na praзa Nossa Senhora dos Remйdios e nos quarteirхes que a rodeavam.

Falavam portuguкs misturado com бrabe, francкs e espanhol, e dessa algaravia surgiam histуrias que se cruzavam, vidas em trвnsito, um vaivйm de vozes que contavam um pouco de tudo: um naufrбgio, a febre negra num povoado do rio Purus, uma trapaзa, um incesto, lembranзas remotas e o mais recente: uma dor ainda viva, uma paixгo ainda acesa, a perda coberta de luto, a esperanзa de que os caloteiros saldassem as dнvidas.

Comiam, bebiam, fumavam, e as vozes prolongavam o ritual, adiando a sesta.

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